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DANUZA LEÃO
Lula na avenida
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Foi como se fosse um
desconhecido. Nem vaias, nem palmas. Nada. E nada é pior do que qualquer
coisa
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O CARIOCA É mesmo único. Fica íntimo sem conhecer as pessoas; se você
telefona para um escritório, a telefonista te chama de "meu amor",
se compra um coco na praia, o vendedor te chama de "querida", se
pede uma cadeira para tomar sol, vem logo um "é pra já, minha linda".
Não é nem preciso dizer que todos se chamam de você e são de uma cordialidade
suprema.
Estamos mais do que acostumados a toda essa intimidade. Mas quando é para
vaiar ou para aplaudir, não fazem a menor cerimônia. E o curioso é que estão
todos, sempre, de acordo. Que seja no Maracanã, no meio de um bloco, ou na
avenida, a unanimidade é sempre geral, e nunca existem duas correntes, uma a
favor e outra contra. Veja o pobre do Neguinho da Beija-Flor, que levou uma
vaia daquelas por ter atrasado 15 minutos o desfile, já que resolveu se casar
na avenida.
Isso pelo menos vai evitar que, no futuro, entre uma escola e outra,
aconteçam batizados, aniversários e que tais. Mas foi curioso que o carioca,
tão espontâneo nos seus arroubos, não tenha tido nenhum tipo de reação à
presença do presidente na avenida.
Foi como se fosse um desconhecido qualquer no camarote do governador -nosso
governador, que sempre faz uma pose original na hora das fotos. Nem vaias,
nem palmas. Nada. E nada é pior do que qualquer coisa. Para quem, segundo as
pesquisas, tem 84% de aprovação popular, seria de se esperar um espetáculo de
gritos e vivas ao presidente. Afinal, 84% não são para se desprezar. Pois não
aconteceu absolutamente nada.
Não adiantou o chapéu panamá, a animação de d. Marisa, que chegou a descer para
sambar junto aos passistas, enquanto os fotógrafos cumpriam seu papel de
mostrar o quanto nosso governador, nosso prefeito e nosso presidente são
unidos. Ninguém deu a menor bola. Eu, que não entendo dessas coisas, acho que
Lula estava em campanha; ele não foi ver o samba, mas testar 2010. Já o
prefeito foi para a avenida, sambou com as escolas -todas-, mudou a cor da
fitinha do seu chapéu para ser simpático com cada uma que passava, mas também
não fez o menor sucesso. Era tudo "fake", e carioca saca essas
coisas com incrível rapidez.
Quando Itamar apareceu na avenida, 15 anos atrás, foi um grande auê com
palmas carinhosas de todos que passavam (depois que Lilian Ramos apareceu foi
outro auê). Todos queriam saudar nosso então presidente. Mas desta vez a presença
de nossa autoridade máxima foi um fiasco. E d. Marisa deu, enfim, sua
contribuição como primeira-dama: foi quando reclamou com o ministro Temporão
que não havia camisinhas no banheiro das mulheres. Que beleza, ter uma
primeira-dama tão cuidadosa. Depois de tantos anos sem dizer uma só palavra,
ela perdeu uma boa oportunidade de ter continuado muda e calada como sempre
esteve.
Foi uma pena nossa jovem Dilma não ter vindo também. Ela teria certamente
contribuído para que a indiferença carioca se mostrasse ainda mais evidente.
Aliás, segundo amigos pernambucanos, sua passagem pelo Estado foi em
branquíssimas nuvens. Lá também não aconteceu nada. O trio da alegria
-Cabral, Paes e Lula- bem que se esforçou, mas no Carnaval não fez nenhum
sucesso.
danuza.leao@uol.com.br
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